desperdício

vou ao rio na segunda, a trabalho. nada de cristo redentor. nada de lagoa. nada de ver os aviões decolando do santos dumont de cima do pão de açúcar. nada de ver o morro do vidigal acender atrás dos dois irmãos. nada de pôr-do-sol na colombo do forte de copacabana. e o mais phoda [com ph e em neon, piscando!] frustrante de tudo: nada de calçada de ipanema. ficarei triangulando entre a universidade, o office e o hotel, tudo na barra. e a barra - convenhamos - não é exatamente o rio. volto na quinta. se me der a louca, peço demissão e saio correndo igual o forrest gump para ligar para vocês - mô e clara - do orelhão da esquina da maria quitéria com a vieira souto. combinado?
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ah, bruges [ainda] vem aí!

*bruxelas*

[grand place]
depois de um considerável atraso na gare du nord, pegamos nosso trem com destino à estação midi, na capital belga...
ao contrário de paris, que é uma cidade para onde se deve voltar sempre que possível, fiquei com a impressão de que ir a bruxelas uma vez nesta vida já estava de bom tamanho. é certo que é quase um sacrilégio morrer sem ter visto a grand place e o interior da catedral de saint michel & gudule, e que tem seu valor comer um godiva deitada na cama de um hotel belga, numa rua belga, a poucos quilômetros de onde ele foi comprado, no final do dia, mas há alguma coisa de estranho na atmosfera de bruxelas. alguma coisa que não se pode nomear. uma impessoalidade. uma frieza, talvez. uma irracional sensação de insegurança. deve ter alguma coisa a ver com a perda da latinidade, com o choque de sair de uma europa latina para uma europa europa. sei lá.
a bélgica é um pequeno país espremido entre a frança, a holanda e a alemanha. tão espremida que a gente quase se compadece ao vê-la no mapa - onde ela só ganha, continentalmente falando, do inexpressivo e quase inexistente luxemburgo. bruxelas é uma cidade bonita, civilizada, repleta de turistas e de chocolates. é tanto chocolate que eu desconfio que se fizessem uma gincana e soltassem todo mundo da cidade com a finalidade de comê-los, ninguém dava conta. a gente vê tanto chocolate que até perde um bocado da vontade de comer. e olha que se há uma coisa com a qual eu não faço cerimônia é chocolate. belga, então!
na capital da união européia e sede do parlamento europeu, as pessoas são educadíssimas e um tanto sisudas, o que decerto tem a ver com o funcionalismo público. algumas das que vi por lá pareciam saídas diretamente da versão anos 80 do cara a cara - aquele jogo da estrela que tinha umas palhetinhas que íamos baixando na medida inversa das respostas do nosso adversário, lembram? há uma impessoalidade quase incômoda. uma certa falta de identidade, de sentimento de pertença. a impressão que dá é que os seus habitantes não são belgas, mas europeus simplesmente. tudo está escrito em dois idiomas [francês e flamengo], até mesmo o nome das estações de metrô, onde não há catracas. as pessoas são tão civilizadas e conscientes que simplesmente compram seus bilhetes e embarcam, sem fiscalização nenhuma. no atomium, também não me recordo de ninguém haver confirmado meu bilhete de entrada. é bom estar num lugar assim. resgata-se um pouco da esperança perdida na humanidade.
cheguei numa tarde gélida, de vento forte e cortante. lembro do pouco de vontade de chorar e do muito de raiva que tive de mim mesma por não haver comprado antes um mapa da cidade que me desse um mínimo de noção da direção do meu hotel. era 25 de dezembro e não havia uma viva alma nas imediações do metrô madou, com quem eu pudesse gastar o meu sofrível francês. lembro de haver bendito o par de luvas de couro que comprei um dia antes, numa loja chamada candice [onde conheci minha bonita xará!], na rue de l´ancienne comédie, no saint germain des prés. lembro também de haver apelado para são miguel, que logo intercedeu em meu favor e me direcionou intuitivamente ao meu destino: o número 42 da rue du congres, ali pertinho. depois de instalados, descemos as ruas vazias até o centro e fomos gradativamente encontrando cada vez mais pessoas, até nos depararmos com um verdadeiro formigueiro de gente. estávamos na grand place! já era quase noite e a grande árvore de natal azul estava acesa e era o único lugar não ocupado por gente em toda a praça. era como se todas as pessoas da cidade estivessem concentradas ali, o que explicava as ruas tão estranhamente vazias. perdi o ar por um instante, diante da fachada iluminada do emblemático prédio da câmara municipal, que mudava de cor e desejava 'feliz natal' em todas as línguas do mundo no ritmo da música que tocava, naquilo que eu posso chamar de um natal inesquecível. devagar, muito devagar, dei uma volta de 360 graus ao redor de mim mesma, deixando-me impressionar pelos detalhes da mais bela praça do mundo, segundo victor hugo. um momento de ouro desta viagem, sem dúvida. mas o melhor da bélgica ainda estava por vir...

próxima estação: bruges.

notícias do ensino superior

chico lico passou no vestibular da federal, em 9º lugar. eu não caibo em mim.
[a propósito, parabéns para fá e ricardo, pela aprovação da aline!]
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e enquanto bruxelas não vem, dêem uma lidinha nas horizontais da vertical de hoje.

delayed

o thalys para bruxelas atrasou devido ao mau tempo na europa.

*paris*

[place des vosges]

queridos, conforme prometido venho deixar minhas impressões e reminiscências sobre as cidades tão especiais pelas quais passei nestas férias de final/começo de ano. foram dias frios e lindos, que guardarei com toda a delicadeza em minha avantajada memória canceriana, e que apenas parcialmente conseguirei exprimir em palavras, mas o registro servirá ao menos para organizar, de alguma maneira, meus sentimentos sobre lugares incríveis, que me tiraram um pedaço e por onde, certamente, minha alma flutuará para sempre [vide posts mais antigos, intitulados ‘minha alma flutua’].

dedicarei um capítulo para cada uma das cidades daquilo que chamei de primeira fase da viagem [paris, bruxelas, bruges e amsterdam] e um último capítulo para portugal, onde vivi o segundo momento, todo especial, destas minhas férias merecidas.

prontos para começarmos nosso ‘caminho para a distância’? pois...


*paris*

impossível falar, escrever ou pensar sobre paris sem cair nos velhos clichês de que ‘paris vale uma missa’, ‘paris é uma festa’, ‘paris é tudo’. paris, de fato, é tudo, e um pouco mais. e se eu já estava certa antes, agora posso dizer, com conhecimento de causa, que ‘só há uma coisa melhor do que ir a paris: voltar a paris!’. paris é mágica, romântica, harmônica e extremamente estética. tudo é lindo em paris: as ruas, os prédios, as praças, os jardins, as pontes, as pessoas. as pessoas, aliás, valem um comentário a parte neste post, pois não lembro de ter visto tanta gente bonita por metro quadrado em qualquer lugar da minha vida, mesmo em paris, antes. homens e mulheres. gente das mais diversas origens e etnias. parisienses e não parisienses. imigrantes. turistas. homens de olhares magnéticos e mulheres lindamente maquiadas e bem-vestidas. penso que as pessoas acabam harmonizando-se com a beleza e com o espírito da cidade. deve ser isso.

começar uma viagem por paris é algo intenso, mas que de certa forma tira um bocado do entusiasmo pelos destinos posteriores. nada que nos impeça de ver a beleza e sentir a energia das outras cidades, mas é difícil sentir-se arrebatado por um lugar depois de paris.

as primeiras emoções da viagem aconteceram ainda no avião, com as diametralmente opostas visões aéreas de lisboa e paris. saímos de fortaleza no incrível vôo da tap que atravessa o atlântico em inacreditáveis 6 horas e 20 minutos. chegamos em lisboa numa manhã de céu absolutamente azul, de maneira que pude avistar, da minha janela, a torre de belém; o mosteiro dos jerónimos, com seu jardim de frente; e os estádios do benfica e do sport. foi lindo rever portugal de uma maneira tão peculiar e inesperada. desembarcamos, então, para os procedimentos de conexão e, com um pouco de atraso, decolamos com destino ao aeroporto de orly. alguma turbulência gerada pelo encontro dos ventos portugueses com os ventos espanhóis e logo estávamos sobrevoando os pirineus – uma cadeia de montanhas congeladas que geograficamente ajudam a traçar a fronteira entre o norte da espanha e o sul da frança. lindo de ver de cima. uma seqüência quase infinita de relevos brancos, que me lembraram o dia em que, num vôo entre fortaleza e são luís, fui surpreendida ao avistar os lençóis maranhenses. mas emoção maior eu sentiria ao chegar numa paris branca e que parecia soterrada pela neve. a sensação era a de que estávamos chegando ao pólo norte, e que não havia restado ninguém em paris. não se via movimento algum, apenas uma imensidão branca, estática e linda, quase triste – uma cena que, mesmo que eu viva 100 anos, jamais esquecerei. após o traslado, check in e demais procedimentos de chegada, e já instalados num hotel do 14ème, pegamos o metrô com destino ao trocadéro, mas decidimos descer um pouco antes, na estação bir-hakeim (tour eiffel) – o que foi providencial, porque a vista da torre iluminada a partir do trocadéro, já na chegada, certamente teria sido demais para o meu coração dom-quixotesco. contando com o fuso horário de 4 horas a mais e com o rigor do inverno europeu, já era noite o suficiente para que os apartamentos que ficam no mesmo nível do metrô – que passa a ser de superfície a partir da estação cambronne – tivessem acendido suas luzes internas. foi uma delícia observar, através do que as janelas e as cortinas entreabertas me permitiam ver, as decorações caracteristicamente parisienses que, somadas à trilha sonora proporcionada pelos gitanos do metrô, não me deixaram a menor sombra de dúvida: definitivamente, eu estava em paris! depois, então, de um jantar delicioso, regado a dois copos de vinho tinto, e de uma caminhada entre o sena e a torre eiffel, que piscava e mudava de cor em intervalos regulares, a vida ficou linda e eu me senti a mais feliz das criaturas.

o dia seguinte – o primeiro completo na cidade – começou com muita neve. nevava um bocado ainda quando saímos do hotel com destino certo: a catedral de notre-dame, por onde se deve começar qualquer viagem que se preze a paris. sem baldeação, a mesma linha de metrô nos levou até a estação cité, bem no meio da ilhota que divide o sena e que conjuga as îles de la cité e saint louis – o metro quadrado mais caro, e mais charmoso, de paris, e marco inicial da cidade. a catedral imponente, os arredores nevados, as árvores completamente desfolhadas e o dia cinza me foram afinando o espírito e ao entrar na notre-dame, no meio de uma missa – celebrada, naturalmente, em francês – sentei e rezei, agradecendo, mais que tudo, por todas as bençãos de 2009, e pedindo saúde e proteção para mim e para o meus [nos quais se incluem muitos dos poucos que ainda se dão o trabalho de me ler nesta biroska], pedido que refiz em cada uma das muitas igrejas [cada uma mais linda que a outra] em que entrei nesta viagem. a missa já chegava perto do fim quando reabri os olhos, bem no momento que mais gosto da celebração: a paz de cristo. comecei a saudar os meus vizinhos, e os que estavam na minha frente, e às minhas costas: um casal de orientais; um africano; um casal tipicamente americano; alguns latinos; alguns germânicos... gente que me olhou profundamente nos olhos e que me desejou, sorrindo, ‘a paz de cristo’ em pelo menos uma dezena de línguas diferentes, e que recebeu de volta o meu sorriso, e a minha ‘paz de cristo’, no meu bom português. lágrimas escorreram sem esforço dos meus olhos naquele que foi um dos momentos mais emocionantes que me lembro já ter vivido.

nos dias que se seguiram, a cidade foi se mostrando aos poucos para mim, delicadamente. o frio era imenso, apesar de haver cessado a neve, mas nada consegue ser desagradável em paris. caminhei pela cidade sem pressa e sem destino, me deixando surpreender por onde o instinto me quis levar. de repente o sena. de repente o boulevard saint michel. de repente a pont saint louis, o quai de bourbon e a casa da camille claudel, citada por caio fernando abreu num escrito já postado no finado monólogos de eurídice [e onde eu não poderia mesmo ter deixado de ir, né clarita del valle?]. de repente a pont neuf. de repente o louvre, o jardin des tuileries, a place de la concorde com sua grande roue e a paris dos milionários [onde, após ser chamada de madame por um guarda de trânsito bonitão, vi uma mulher sair do hotel de crillon vestida num casaco de pele [que espero ecologicamente correto!], com uma bolsa hermès pendurada no braço e cara de ‘mais rica impossível’]. de repente a pont alexandre III, o grand palais, e a visão clássica da champs elysées decorada para o natal. de repente montmartre, com sua impressionante sacré couer [onde fiz uma oração especial por você, fá, e pelas meninas], e sua tão típica place du tertre. de repente la bastille e a place des vosges – a mais bonita de paris e onde passei, com mô no coração, o final de tarde mais lindo da viagem, ao som de um stravinski que parecia vindo do além. de repente a magnífica fachada da opéra iluminada e a chiquérrima place vendôme com o ritz e sua porta giratória, por onde mil vezes vimos passar a princesa diana e seu dodi al-fayed na noite de suas mortes [um pensamento mórbido e triste que não pude evitar]. de repente a tour eiffel, com os jardins du trocadéro e o champ de mars, um de cada lado da pont d´léna. de repente os jardins du luxembourg, la sorbonne, o boulevard saint germain, o café de flore e o les deux magots – um do ladinho do outro, exatamente como eu os vi em 95 e como estavam quando sartre e simone de beauvoir, apaixonados e entre cafés, jornais e cigarros, discutiram o existencialismo. eu já disse, aliás, que a perenidade das coisas é o que mais me encanta e enternece no velho continente. um coração canceriano e cultuador do passado como o meu não pode jamais passar incólume por um lugar onde, como diz meu hilário amigo jorgê, há um orelhão no qual napoleão ligou para nabucodonosor ou uma fonte na qual carlos magno se refrescou antes de invadir a galícia. paris é assim: eterna. e eu espero voltar, muitas vezes ainda, para poder enxergar, com olhos cada vez mais adultos, e o coração cada vez mais apurado pela vida, suas sutilezas e nuances.

peguemos, então, um thalys para a próxima estação: bruxelas.

twitter de bordo

[amsterdam]
[bruxelas & bruges]
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queridos, estou em portugal, vivendo dias lindos e um pouco mais quentinhos. dei-me férias de tudo, inclusive desta biroska. passo, portanto, apenas para deixar beijos de feliz ano novo e imagens da bélgica e da holanda, onde estive depois de paris. prometo postar minhas impressões quando voltar, lá pela metade do mês.

paris vale uma missa...

... e vários posts na volta!
por enquanto, deixo imagens e sorrisos daqui.

cartão de natal

amores meus, já estou indo para o meu fim de ano além-mar. deixo aqui meu desejo de que vocês tenham um natal cheio de paz e alegria e que 2010 venha lindo para todos nós. estarei longe, e com o fuso adiantado, mas com vocês no coração. estejam certos de que lembrarei de cada um de um jeito personalíssimo e especial. prometo mandar notícias [e - quem sabe? - postar umas fotinhas], se der. até lá, sejam bonzinhos [senão papai noel não vem!], comam rabanadas e fiquem em paz.
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recadinhos do coração: mô, você estará na place des vosges comigo. clarita del valle, pisarei o chão de ávila com toda a deferência recomendada, sentindo você ao meu lado [até que tenhamos merecimento espirutual para fazermos isto juntas, de verdade]. fá, farei uma oração por você na sacré coeur. e já sei que pensarei em ti que só, tró, na plaza mayor de salamanca.

16 do 12

não, queridos, eu não seria capaz de descrever o dia [bizarro] que tive. menos ainda as figuras grotescas que passaram pela minha mesa - uma mistura de filme do almodóvar com pegadinha do malandro. surreal, e nada encantador. mas amanhã é dia 16 do 12, e eu hei de sobreviver.

'afinal, o que é uma mulher sem malas?'


porque hoje meu ganhador estava aberto e, além de um belo colar de prata com pingente coral, ganhei este livro da mamãe - para ler no avião. a.do.ro danuza. tanto que não resisti e acabei lendo alguns trechos [hilários], de páginas que fui abrindo aleatoriamente. trata-se de um pequeno roteiro sobre o que fazer [e o que não fazer] em quatro cidades que a autora entende essenciais: sevilla, lisboa, roma e paris. um presente bem oportuno para quem está fazendo as malas e indo para aquelas bandas esta semana - eu diria. segue um trechinho, do capítulo intitulado 'caviar e george v', para vocês se divertirem, como eu me diverti: '...para me ajudar a raciocinar, pedi uma vodka au poivre - apimentada e rosada, geladíssima; a vida começou a ficar bela, aliás, belíssima. escolhi uma assiette aux trois harengs, três tipos de arenque com creme, cebola cortada fina e alcaparras. em seguida, uns blinis, claro (os melhores de paris). mas com quê? caviar? o preço do beluga era 880 euros, cem gramas; do osciètre, 650, e do mais baratinho, o sevruga, 590. só se tivesse sido convidada pelo sultão de brunei. pedi blinis com ovas de salmão, a 33 euros os cem gramas, fiquei extremamente feliz, e o mundo se tornou um paraíso. desci a avenue george v, jurando que não compraria absolutamente nada, juramento que cumpri. tinha a intenção de ir ao hotel george v, mas, depois de duas - ou foram três? - vodkas, não deu. minha amiga tomou o rumo de casa, e eu fui flanar na direção do sena, e acabei indo a pé até meu hotel, em saint-germain des prés. uma linda e deliciosa caminhada. o george v amanhã, talvez. amanhã, com certeza. e, no dia seguinte, como tinha combinado comigo mesma: hotel george v. afinal, como não conhecer um dos hotéis mais chiques de paris? de blazer armani e jeans, entrei na portaria me achando. acho que eles também me acharam, porque foram gentilíssimos. queria tomar um chá, mas as mesas estavam todas ocupadas. fui, então, para o bar... eram cinco horas, e estava cheio; muitos jovens, que deviam ser os donos das ferraris e maseratis estacionadas em frente ao hotel. pedi um campari, disse que estava esperando uma pessoa, e o garçom, todo sorrisos, perguntou se eu não queria um jornal ou uma revista. para dar um ar de séria, pedi o le monde e, enquanto fingia que lia, fiquei observando o bar. os garçons que ficam atrás do balcão usam colete de brocado, e os que servem, terno e gravata. havia orquídeas dentro de um aquário, e em cada mesa um vasinho micro, com uma orquídea plantada... o hotel é suntuoso, mas - tem sempre um mas - contrataram um florista de los angeles. convenhamos: entre paris e los angeles a distância cultural é imensa, e o george v, cuja marca registrada era um imenso buquê de flores no hall de entrada, agora tem, espalhados por todos os seus espaços, vasinhos deitados com flores estranhas, o que até iria muito bem na califórnia, mas em paris é um insulto. apesar de todos os confortos que o hotel oferece - piscina, vários tipos de massagens, limpeza de pele, e uma sala de ginástica aberta dia e noite -, uma pessoa de bom gosto não pode deixar de se sentir agredida por aquela visão horrenda das flores, da qual ninguém escapa. precinhos: quarto normal, 695 euros, suíte especial, 4800, suíte real, 11 mil. como em paris você passa pelo menos doze horas do dia na rua, cada hora na suíte real sai por quase mil euros. no hall do hotel havia uma mulher envolta em panos, com aspecto muito simples. levava uma sacolona de tecido e um bebê no colo. achei estranho que ela estivesse ali, no hall de um hotel tão chique. logo depois encontrei a mesma mulher na loja da louis vuitton, confortavelmente instalada, tirando da sacola uma garrafa térmica e fazendo uma mamadeira para o bebê. devia ser uma princesa árabe - ou a babá de alguma riquíssima, pois, nos dois lugares, foi muito bem tratada. e agora vou ter que falar da loja vuitton... vou ter que falar. na calçada, um grupo esperava para entrar. tive a impressão de que os seguranças esperam que saia uma leva para entrar outra, mas, se você está bem-vestida - e eu estava -, com uma bolsa de grife (o porteiro conhece tudo) e aquela cara decidida de quem vai comprar, não tem problema, a porta é aberta com um simpaticíssimo 'bonjour, madame'. a lv se tornou um luxo banal - não no preço -, e de uma vulgaridade absoluta. e preste atenção na criatividade: pegaram vários modelos de bolsas lv, de várias cores e formatos, cortaram em pedaços - uns retangulares, uns quadrados, outros em triângulos -, fizeram um patchwork e montaram um novo modelo de bolsa - horrenda, por sinal. preço: 50 mil dólares. foi demais para a minha cabeça; precisei sair correndo dali. aquele vuitton clássico, de bom gosto, não existe mais. saí, passando mal, e, quando olhei para o fouquet´s, do outro lado da rua, quase desmaiei: a porta de entrada eram uns arabescos feitos de alumínio, imagine por quem? philippe starck. quero declarar, a quem interessar possa, que tenho pavor a tudo o que é feito por philippe starck. fui descendo a avenue george v, e felizmente encontrei a filial da hermès, para me refazer de tantas agruras;... respirei aliviada. o mundo ainda é possível. mas, como tinha tirado a tarde para percorrer aquele quartier, o 8ème, e já eram mais de sete horas, resolvi ir até o amargo fim e tomar um drinque no bar do plaza; decorado por quem? por um discípulo de philippe starck... diante dos últimos acontecimentos, pedi uma vodka dupla: eu merecia. lembrei daquele filme de buñuel e tive medo de nunca mais poder sair de lá, e, para não correr nenhum risco, pedi a vodka e a conta, junto. e fiquei olhando aquele mundo de jovens desocupados que passam a vida fazendo o circuito prada - vuitton - george v - plaza, e saí de lá quase correndo, louca para voltar para meu mundo. não, aquela ilha dentro de paris não foi feita para mim'.
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bom demais, né?

dilema shakespeareano

escrever ou não escrever? - eis a questão.

with or without you

see the stone set in your eyes
see the thorn twist in your side
i wait for you
sleight of hand and twist of fate
on a bed of nails she makes me wait
and i wait for you
with or without you
with or without you
through the storm we reach the shore
you give it all but i want more
and i´m waiting for you
with or without you
with or without you
i can´t live
with or without you
and you give yourself away
and you give yourself away
and you give
and you give
and you give yourself away...
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porque rodar a praça portugal iluminada ouvindo with or without you pode ser o momento mais bonito de um dia.

do you?

ain´t no sunshine lyrics

oi queridos, estou viva. são paulo foi ótimo. corrido, mas ótimo. teve marcos caruso como robert kincaid no renaissance. subversão à minha intolerância à lactose com milkshake de chocolate de 700ml no the fifties. niver da kika no charmoso apartamento da carlos comenale. pôr-do-sol no chiquérrimo skye, do unique. caminhada na paulista. massa verde no américa. pizza com amigo de fortaleza na veridiana da josé maria lisboa. apartamento novo da juju. café na livraria cultura do conjunto nacional. e centenário dos 97 anos do velhinho mais legal do planeta mais 3 anos do pequeno che guevara. na volta, caí de cabeça, tronco e membros no trabalho. estou novamente na direção acadêmica da faculdade. desta vez, ao que tudo indica, para valer. trabalhando no mínimo 11 horas por dia. numa vida severina de dar dó. rezem por mim. vou precisar. a sorte é que dezembro tá aí. e com ele as minhas férias de quase um mês inteiro, bem longe daqui. queria ir de vez, levando os meus. viveríamos felizes para sempre numa rua em que não passam carros. num país de gente qualquer, acima da linha do equador. semana passada sofremos outro episódio de violência. foi duro e me fez chorar incontrolavelmente dois dias depois. de indignação, ódio, medo, tristeza e impotência. aos poucos vamos nos livrando destes sentimentos ruins. ontem eu ganhei um daqueles globos de natal com água e floquinhos de neve dentro. está na minha mesa de trabalho, onde passo agora a maior parte dos meus dias. agito e faço uma pausa até que toda a neve tenha decantado no fundo sempre que estou estressada demais. me faz lembrar que o mundo é imenso. que as possibilidades são muitas. me acalma. hoje minha mãe armou a árvore de natal. e acenderam as luzinhas do aldeota open mall - para a alegria dos meus retornos [cada vez mais] noturnos à casa, pela desembargador moreira. daqui a pouco a alegria será geral, quando terminarem de montar a árvore gigante da praça portugal, que já está me matando de curiosidade. é, queridos, passou-se um ano inteiro. outra vez.

sampa

amanhã vou a são paulo, queridos. de noite irei ao renaissance para ver o marcos caruso de robert kincaid e lembrarei de vocês. tento mandar notícias de lá.

.por onde andei.

.por onde andei.
.pela orla da minha querida cascais.

.por entre as milhares de bicicletas de amsterdam.

.pelas ruas medievais da irretocável bruges.

.sob as luzes e sombras da grand place, em bruxelas.

.pela simétrica [e linda!] place des vosges, em paris.

.pela incrível plaza de españa, em sevilla.

.pelo fabuloso parc güell, em barcelona.

.pela recoleta, em buenos aires.

.pelas muralhas de óbidos.

.pela nascimento silva, em ipanema.

.pela cidade alta, em salvador.

.pelo pico alto, em guaramiranga.

.pelas charmosas ruas de sintra.

.pela torre de belém, em lisboa.

.pelas margens do douro, no porto.

.pelo casco viejo, em santiago de compostela.

.pelo meu retiro, em madrid.

.caminham comigo.

.plágio é crime e atestado de burrice.

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.presentinhos.

.presentinhos.